Tanto quanto a sobrevivência do sobreiro está dependende da indústria da cortiça. Por muito que existam leis que protejam o sobreiro, a verdade é que se deixar de ter interesse económico, será o fim desta espécie vegetal tão característica do nosso País, assim como do ecossistema que lhe é subjacente. O fim do sobreiro, e consequentemente da cortiça, será o fim de uma indústria extremamente importante para economia nacional, e da qual nós somos os principais produtores/exportadores a nível mundial.
Nas últimas décadas a indústria corticeira entrou em declínio, mas mais recentemente a situação agravou-se, com o aparecimento da nova "screwcap", ou a rolha de plástico, que supostamente evita o risco de alteração do vinho devido ao TCA que resulta no chamado "sabor a rolha". Mas é possível evitar esse risco se as rolhas de cortiça tiverem um tratamento adequado que elimina os microorganismos que produzem o TCA, e há empresas que apostam nisso. E não é também verdade que há muitos vinhos que maturam melhor precisamente pela presença da rolha de cortiça, que permite o vinho respirar? Ou coisa parecida...? Lamento não perceber mais de vinhos, mas sempre ouvi qualquer coisa a esse respeito. Vinho e cortiça são uma associação íntima e centenária. E é deveras preocupante quando uma importante marca de vinho, como a casa Montez Champalimaud, anuncia abertamente a escolha pela rolha de plástico. É uma péssima publicidade que, se outras casas lhe seguirem o exemplo, pode ter sérias repercursões a nível ecológico, económico e até cultural.
Mais ainda quando cada vez mais se tenta alertar e consciencializar as pessoas para a necessidade urgente de proteger o planeta, como é possível optar pelo plástico em detrimento da cortiça, que tem a vantagem de ser um material natural, biodegradável, reciclável e não poluente??
Assisto impotente a tudo isto...queria fazer alguma coisa...mas além de recusar-me a comprar garrafas de vinho com rolhas de plástico - é quase de rir sequer considerar que isto possa ter algum efeito - não vejo nada que possa fazer alguma diferença. Talvez se o povo se unisse pela causa...
Mas acho que o povo tem mais com que se preocupar... Assuntos mais imediatos. Não algo como uma indústria que quase só existe no nosso País, não algo que é culturalmente tão importante (se a maioria nem tem consciência da sua existência), não uma árvore que foi plantada pelos nossos avós, uma vida de gerações, uma memória da identidade nacional.

Fotografia retirada de olhares, autoria: Francisco Fadista.